O MÉDICO TEM MAIS DÚVIDAS QUE EU


Hoje é dia cinco de abril de 2017, outra quarta-feira daquelas. Chegou o tão esperado dia da consulta com o neurologista infantil, segundo a pediatra, a otorrino e a fono, esse 'é o cara!', o que o neuro disser, está dito! Então imagine a nossa expectativa. 

Como não conseguimos horário com a neuro que a pediatra indicou, resolvemos procurar outro profissional e para a nossa surpresa, em São Paulo, havia apenas dois neuropediatras que atendem pelo convênio.

Escolhemos o que tinha a data mais próxima, pois cada dia que passa é um dia a menos de tratamento para o Miguel.

Na internet tem muita informação e confesso que parece bem mais simples ler: "... uma equipe multidisciplinar irá concluir o diagnóstico..." na prática, essa equipe é bem menos assertiva do que a gente imagina.

Após 45 minutos além do horário agendado previamente, o neuro nos recebeu. Fez perguntas sobre o comportamento do Miguel, examinou os olhos, os ouvidos e a garganta dele. Mediu o diâmetro da cabeça e tentou chamar-lhe a atenção batendo palmas e chamando-o pelo nome. 

"Na verdade, nessa busca por informações a única coisa unânime é a dúvida."

Como de costume, o Miguel olhou para o rosto do neuro, olhou quando ele bateu palmas, chorou ao vê-lo de branco, assim que entrou no consultório, ou seja, um comportamento típico, já que não ignorou o médico.

No final da consulta, veio a decepção, o neuro pediu para colocarmos o Miguel em uma escola, nos deu um receituário indicando a fonoaudiologia (que já estamos passando) e um outro indicando a psicologia. Nada mais. Nada de exames laboratoriais para ver a questão do cérebro ou alergias ou deficiência de vitaminas ou qualquer outra coisa que pudesse indicar um outro problema.


Quando eu indaguei se havia a possibilidade de TEA como a pediatra indicou, ele apenas disse que deveríamos aguardar três meses para ver se ele se desenvolve na escolinha. Em outras palavras, ele disse que a melhor terapia para o Miguelito é a escola.

Além das expectativas frustadas, da dúvida multiplicada, vem a esperança dolorida. Será que a escola é mesmo o melhor remédio?

O próprio neuro demonstrou dúvidas em relação ao diagnóstico, mesmo o Miguel tendo 2 anos e 4 meses e não falar uma palavra sequer.

Na verdade, nesse mês a única coisa unânime é a dúvida.


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